Entretenimento Postado por datapage - 6 de outubro de 2015 22:48 | Atualizado há 4 meses

Teatro infantil “de gente grande”

Grupo tocantinense Lamira Artes Cênicas encena espetáculo infantil, no Teatro Sesc, rico em linguagens. Usa desde a leveza dos gibis à profundidade da dança contemporânea

diario da manha

Hoje e amanhã, o Teatro Sesc Centro irá acolher mais uma montagem infantil. Porém, para a felicidade dos pais, no palco não estarão personagens da Galinha Pintadinha, ou outro sucesso midiático. O grupo tocantinense Lamira Artes Cênicas apresenta a original e multifacetada montagem. Como esperado, tudo acontece no universo das histórias em quadrinhos. A surpresa fica por conta de se tratar de um espetáculo de dança contemporânea. Isso mesmo. E, para completar estas misturas, os personagens são palhaços, que interagem com o público embalados por, nada menos, que a música erudita.

Muitos fatores são “culpados” pelas amplas influências de Gibi – que está em turnê nacional patrocinada pelo “O Boticário na Dança” por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura/Ministério da Cultura/Brasil. O fato da companhia estar sediada em Palmas (TO), por exemplo, possibilitou a aproximação com o trabalho do cartunista tocantinese Geuvar Oliveira. Pois, foi seu gibi, chamado Liga do Cerrado, o grande inspirador deste espetáculo.

 “Ao ler as histórias do Geuvar, eu me impressionei em como os personagens eram divertidos, e como a identidade com Palmas era imediata. Então, porque não partir de um artista palmense que inventou figuras tão interessantes?”, explica o diretor artístico do espetáculo João Vicente.

E, foi devido à riqueza dos personagens de a Liga do Cerrado, que, nasceu a outra mistura desta montagem: a linguagem. “Tudo no Gibi se resolve de uma forma muito divertida. Então nós pensamos: já que nós não podemos levar o personagem para cena, então vamos montar esse universo ‘clownesco’ inspirado nos gibis”, esclarece João Vicente.

Mas, usar a linguagem do palhaço para uma companhia de dança contemporânea, cujos bailarinos já trabalharam em grupos internacionais dentro do estilo – João Vicente já atuou na Quasar Cia de Dança (GO) e no Grupo Corpo (MG) e Carolina Galgane, no Grupo de Dança Primeiro Ato (MG) –,  se tornou um desafio. “O grupo teve que fazer formação de clown e esta experiência foi riquíssima, e, inclusive vai servir, para os próximos espetáculos do grupo”, revela.

No ritmo dos clássicos

Já, a entrada da música erudita no espetáculo, João Vicente – que já foi professor de crianças – sempre notou identificação do estilo, com o mundo infantil. “Percebi, que embora elas conhecessem todos os ‘mega’ sucessos da época, de forma alguma conheciam também a música erudita, inclusive músicos famosos como: Chopin, Mozart e Beethoven”, conta.

O interesse da produção do espetáculo pela música clássica foi ainda incentivado, quando o diretor artístico do espetáculo observou ser o gênero, uma ótima inspiração para as cenas. “Não é a toa que o próprio Walt Disney usou bastante música clásica nas montagens dos seus desenhos animados. Várias músicas ficaram mais famosas pelos desenhos do Walt Disney, do que pelo próprio músico. Isso, claro, na nossa contemporaneidade”, argumenta.

Sem estranhamento, esta vontade da companhia de produzir um espetáculo com qualidade de “gente grande”, mas voltado para o público infantil, segundo João Vicente, nasceu quando ele voltou seu olhar para os espetáculos destinados às crianças, que chegavam à sua cidade. “Pelo menos em Palmas, as montagens não eram interessantes esteticamente. Geralmente só traziam temas de sucesso da época, seja Shrek ou Galinha Pintadinha. Se apropriavam de um sucesso midiático, para explorar o público infantil. E, os pais, que levavam as crianças, não viam a hora de acabar o espetáculo”, diz João Vicente.

Talvez por estas influências “adultas”, como a dança contemporânea e a música clássica, a companhia – que já passou por Brasília e depois de Goiânia, seguirá para Curitiba (PR) -, não tem percebido nenhuma resistência dos pequenos. Muito pelo contrário. “A identificação da criança com o espetáculo é imediata, e, embora não tenha uma fala, elas entendem toda a sequência cronológica do espetáculo. Elas narram as historinhas que estão em cena, conseguem se divertir, rir e torcer pelos personagens”, celebra o diretor.  

Espetáculo GIBI

Quando:

 Hoje, às 17h e amanhã, às 11 e 17h

 Teatro do Sesc (Rua 15, esquina com a rua 19, Quadra 34 – Centro)}

Ingressos:

 R$2 (comerciários e dependentes com a carteira do Sesc atualizada e menores de 12 anos), R$5 (meia-entrada) e R$10 (inteira)

Informações: (62)

3933-1700

 

 

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