Postado por O Globo - 2 de novembro de 2015 03:05 | Atualizado há 5 anos

Subsídios agrícolas travam acordo entre Mercosul e União Europeia

Para não alterar suas políticas, França e Bélgica resistem a zona de livre comércio

diario da manha

BRASÍLIA – Se os problemas internos do Mercosul, com destaque para as limitações da Argentina, impediam avanços no processo de negociação para uma zona de livre comércio com a União Europeia (UE), agora os principais obstáculos para que as duas regiões finalmente troquem suas ofertas estão no bloco europeu. Países como Bélgica e França, beneficiados por subsídios agrícolas, apresentam resistência a um acordo, enquanto Espanha e Alemanha estão entre os que mais anseiam por esse entendimento.

A apresentação das respectivas propostas de Mercosul e UE está prevista para acontecer até dezembro, mas, segundo fontes europeias, nada está garantido. No governo brasileiro, fontes da área diplomática confirmam que as dificuldades estão, agora, do outro lado do Atlântico.

— Esse não é um problema nosso. São eles (os europeus) que terão que resolver seus problemas — disse ao GLOBO o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sem tecer comentários adicionais a respeito das dificuldades dos europeus.

Há cerca de dez dias, Vieira conversou por telefone com a comissária de comércio da UE, Cecilia Malmström. O chanceler brasileiro enfatizou que o Mercosul, em conjunto, havia chegado a uma oferta dentro dos padrões acertados com os europeus:

— Reiterei que os países do Mercosul querem fazer a oferta.

Perguntado se a assinatura da Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), grupo formado por 12 países, incluindo Estados Unidos e Japão, no início de outubro, poderia acelerar as negociações entre Mercosul e UE, o ministro respondeu:

— São coisas diferentes. Cada bloco negocia dentro dos seus objetivos e seus projetos. Queremos valorizar o Atlântico, porque somos todos países do Atlântico.

Em junho, em visita a Bruxelas, na Bélgica, sede da Comissão Europeia, a presidente Dilma Rousseff chegou a propor 18 de julho como data para a troca de ofertas, mas isso não foi aceito pelos europeus. Em seguida, falou-se em um encontro ministerial em outubro, que não aconteceu.

As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram há 20 anos. Desde então, poucos avanços têm sido notados. A troca de ofertas é fundamental para que as conversas finalmente possam caminhar.

Comentários